Fim do amor (Bela Síol)

27 mar

 

O fim do mundo se aproxima. E a destruição pode não vir de uma catástrofe natural, nem do nível de poluição do planeta.  Creio que se aproxima de uma causa antinatural. Sim, contra a natureza. Porque nós humanos desde os primórdios vivemos em pares e atualmente essa tem sido a grande dificuldade da humanidade. Encontrar um par, sonhar junto, construir junto. Os relacionamentos de casal se tornaram vazios, sem sentido, convenientes, ou pior, uma disputa de gênero, ou de força ou de quem manda mais na relação. Os casais que juntos permanecem com qualidade no relacionamento, são verdadeiros heróis. Uma grande parte permanece junta por convenções sociais, por status ou por dependências um do outro. Mas e o querer estar com alguém pelo prazer de preencher aspectos da vida por pura alegria? Preencher a alma com o sorriso do outro, poder confiar e oferecer aconchego? Acho que sou utópica mesmo. E me recuso a deixar de sê-lo. Vivemos em tempos estranhos onde as pessoas preenchem perfis em sites de relacionamentos que parecem grandes supermercados abarrotados de gente comum e carente nas prateleiras virtuais, fazendo propagandas enganosas de si mesma e colocando anúncios de perfeições que buscam no outro, sem qualquer sentido realístico. Sonhar não custa nada! Mas delirar está mais pra doença do que pra uma atitude saudável. Duvido que nos povos antigos as pessoas ainda primitivas vivessem distanciadas do amor.  O macho e a fêmea e creio eu que machos e machos e fêmeas e fêmeas também se relacionavam pelo desejo do que captavam com os olhos, narizes, ouvidos e coração. Amavam-se pela pele e pela alma. Era a força da natureza, a energia da atração. O homem tão evoluído de hoje, sequer ama. Não ama nem a si mesmo. Os antigos se relacionavam pela simplicidade. Deixavam o amor aflorar. Os modernos, eternos insatisfeitos, pulam de galho em galho procurando no amor, sensações cada vez mais voláteis, embora momentaneamente fortes. Parece cocaína, mas é só a deturpação do que poderia ser o amor. Não faço apologia ao amor eterno, porque não acredito em nada eterno, porque o eterno soa falso. Acredito que podemos ser mais sinceros nas nossas buscas e dar chance pra que algo realmente grandioso aconteça. Só que muita gente prefere pular fora e fugir em pânico quando o amor sinaliza estar a caminho e voltam pra filosofia do “vamos pegar geral”. Sou da geração do “ficar”, e confesso que sinceramente alimentei durante toda a minha juventude que aquilo era só uma fase. Lamentável engano! A minha geração, as que vieram depois de mim, e até as mais velhas, parecem ter adquirido essa filosofia e cada vez se torna mais difícil encontrar um par. É legal bater no peito e dizer que não se prendem a ninguém. As músicas estão aí com suas mensagens depreciativas dos relacionamentos. Ainda prefiro minhas comédias românticas onde as coisas sempre se encaixam, embora os casais relutem em se entregar ao amor, nos começos dos filmes. Quisera a vida fosse um filme assim. Temo que o final de nosso filme seja um daqueles dramas de realidade nua e crua, ou um daqueles filmes de terror que terminam deixando a platéia no vácuo sem saber o que virá a seguir ou o diretor invente uma sequência com um filme de terror ainda mais eletrizante. Ainda vou continuar minha busca, em sites de relacionamentos e na vida real, porque há de ter alguém como eu nas prateleiras dos solteiros, utópicos e prontos para o amor e que queira encenar uma comédia romântica, e querer passar muito tempo, mas muito tempo junto e preenchido de alegria, sem tédio, sem cobranças ou dependências doentias e destrutivas. Serei diretora e atora principal do meu próprio filme, com um belo par no papel de parceiro de direção e coadjuvante da história. Sei que o filme não será campeão de bilheteria, mas geralmente as boas obras só podem ser apreciadas por poucos. E sabe qual título eu escolheria? O mundo salvo pelo amor!

 

Bela Síol 27/03/2012

Uma resposta to “Fim do amor (Bela Síol)”

  1. Ligia Raido 30/03/2012 às 9:53 #

    Infelizmente eu tenho que concordar contigo minha amiga… Hoje em dia as pessoas parecem ter medo de amar e principalmente de serem amadas, fogem do amor que sentem como o Diabo fugiria de cruz, e daí se metem em relacionamentos “estáveis” onde o que impera não é o amor e sim o controle ou a dependência seja ela de ordem financeira ou não. É triste ver sentimentos sendo podados, sufocados, pois se algum dia essas pessoas se derem conta das burradas que fizeram e continuam fazendo será tarde demais… Sempre busquei o amor da minha vida (não falo aqui de almas gêmeas, pois sinceramente não acredito nisso, eu acredito em escolhas), sempre busquei algo maior que um simples flerte ou uma simples transa, e sempre fui criticada por isso, mas eu acredito em algo maior,acredito na totalidade das coisas e das pessoas. Talvez eu espere a vida toda por um amor total, ou talvez eu já o tenha vivido e apenas aguarde seu retorno ou ainda uma nova oportunidade de escolha. Se estou certa ou errada, bom é um risco…

    Excelente texto Bela… Beijos!!!

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