Futilidade filosófica

30 mar

Outro dia estava eu questionando a mania de algumas mulheres de colecionar sapatos. Meu senso de utilidade me dizia que é um vício estranho, uma futilidade absurda. Ter 200, 400 ou até mais pares de sapatos quando se tem apenas um par de pés, é ser vítima de um consumismo devastador. Mas daí, descobri eu mesma o poder de um sapato novo. Estou desenvolvendo o gosto e a sedução por sapatos novos, mas meu senso de utilidade faz com que toda vez que eu compre novos sapatos eu me desfaça dos velhos, mesmo que não estejam tão velhos. As razões são simples. Meu armário é pequeno e eu detesto guardar coisas sem utilidade constante. Levar meses até usar novamente alguma coisa me dá uma sensação de estagnação que simplesmente não combinam com a minha ansiedade por viver coisas diferentes todo o tempo. Sapato foi feito pra movimento, não podem ficar guardados muito tempo. Pois é, em uma autoanálise bem crítica, descobri que essa minha fase de querer sapatos novos está evidenciando o meu desejo, nem um pouco inconsciente, de movimento, liberdade, novidade e novos caminhos. Os sapatos são símbolos muito interessantes e ouso dizer que não só para nós mulheres. Sapatos adequados a cada ocasião nos dão segurança. Para uma mulher, um bom salto alto traduz poder, na mesma medida que sapatos bem cuidados depõem muito a favor do homem. Hoje busco conforto, praticidade e conquistas pessoais, meus sapatos são confortáveis, discretos e muito funcionais. Refletem o que busco na vida. O símbolo do sapato no conto de Cinderela revela a mudança de status de uma mulher sofrida e esquecida, que se torna a escolhida do príncipe. Doroty em o Mágico de Oz, batia seus sapatos para se transportar entre mundos, demonstrando claramente o movimento ilimitado. O sapato na verdade é o nosso contato com a terra firme, com o mundo concreto e real, em oposição completa ao nosso mundo das idéias, a nossa mente. Enquanto a mente sonha e idealiza, nossos pés nos levam ao rumo de concretizar nossos planos. E não tem nada mais divino que experimentar a vitória de nossas conquistas pessoais. Pois bem; os sapatos estão aí, compartilhando das nossas emoções. Um sapato pode dizer muito sobre nós. Apenas quem tiver olhos para ver, poderá alcançar o real sentido de um bom sapato. Não precisa ser caro, nem de grife, nem estar na última moda. Basta ser o sapato certo, nos pés certos, conduzindo ao rumo certo para sermos felizes. Que se valorizem os sapatos, sem o consumismo exagerado! Que se divinizem os caminhos que nos levarão ao sucesso!

Bela Síol 29/03/2012

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