Últimas lembranças (Bela Síol)

24 jul

Aqui jaz a velha eu!
Que descanse em paz!
Após tantas batalhas.
Umas em vão!
Outras não!
A velha eu se foi,
Sem culpa, sem medos,
Ressentimentos ou arrependimentos.
Fez o que pode, da forma que pode.
Não agradou a muitos,
Mas foi amada por poucos.
E já no final da antiga vida,
Quando agonizava,
Remoeu muitos venenos,
Os mesmos que lhe prometiam a cura.
Mas em vez da melhora,
Sobreveio-lhe a morte,
Lenta e dolorosa,
Fria e calculista,
Roubando-lhe a cada dia,
Um pedaço,
Mutilando-lhe sentidos,
Pensamentos e sentimentos.
Até que num lampejo,
De profunda escuridão,
A velha eu se entregou,
E seguiu a trilha iluminada.
Numa noite chuvosa,
Sem sentido e com solidão,
Despediu-se da vida,
Sem deixar herdeiros,
Sem deixar saudades.

Bela Síol 24/07/2012

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