Jardins secretos (Bela Síol)

16 ago

 

No meu íntimo,

Cultuo margaridas e jasmins,

E rosas de venenosos espinhos,

Ervas daninhas e alecrim.

Uma profusão de cores e aromas,

Banhados pelos raios solares que entardecem.

Minha alma é úmida ao cair da noite,

Como úmidos são meus olhos,

Temendo pela noite fria e aterradora.

Ao fundo, na escuridão…

Gritos de corvos e pios de corujas,

Avisos, agouros, premonições.

Íntimo e secreto canteiro,

Onde pássaros não voam livres,

Prisioneiros de um peito,

Escravos de um coração.

Vampiras borboletas,

Sugando o sangue e cuspindo o pólen,

Sorvendo néctar e espalhando pó.

Flores…

Perfume e alegria,

Ou óbvios enfeites da Morte.

Esta Sagrada Senhora,

Que me visita de tempos em tempos,

E com tua foice,

O que já não é,

Foi-se! E tudo parece murchar!

O meu secreto jardim,

Um abismo no profundo da alma,

Vale ressequido, morto recanto,

Guarda algumas sementes,

Que na cálida chuva de primavera,

E repentina visita das fadas,

Refloresce outra vez…

Novas flores, novos espinhos, novos venenos!

Bela Síol 16/08/2012

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