Reptícia (Bela Síol)

4 nov

Há de se perder as peles,
E trocar as células,
Rearrumar as escamas,

Acalmar a língua,
Decodificar suas sensações.
Há de serpentear,
Se debater até morrer,
Agonizar e transmutar.
Há de crescer pele nova,
E frescor de outro veneno,
Suave e entorpecente,
Inoculando a si mesma.
Há que se aprender,
O bote certo, a presa fácil,
A se esgueirar na noite,
E se guiar pelo faro,
Quando os olhos são supérfluos.
Há que se rastejar,
Sem perder a majestade,
Sem temer a tempestade,
Nem adiar a metamorfose.
Há que ser plena e sábia,
A projetar veneno na proporção exata.

Bela Síol 28/10/2012

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